Não-fichamento

   Fichamento do texto “não-objeto” (Ferreira Gullar)

   A expressão não-objeto não pretende designar um objeto negativo ou qualquer coisa que seja o oposto dos objetos materiais. O não-objeto não é um anti objeto mas um objeto especial em que se pretende realizada a síntese de experiências sensoriais e mentais. Uma pura aparência.

   O que se verifica é que, enquanto a pintura, liberada de sua intenção representativa, tende a abandonar a superfície para se realizar no espaço, aproximando-se da escultura, esta, liberta da figura, da base e da massa, já bem pouca afinidade mantém com o que tradicionalmente se denominou escultura.

   Conclui-se que a pintura e a escultura atuais convergem para um ponto comum, afastando-se cada vez mais de suas origens. Tornando-se objetos especiais —não-objetos— para os quais as denominações de pintura e escultura já talvez não tenham muita propriedade.



   Pode-se dizer que toda obra de arte tende a ser um não-objeto e que esse nome só se aplica, com precisão, àquela obras que se realizam fora dos limites convencionais da arte, que trazem essa necessidade de deslimite como a intenção fundamental de seu aparecimento.

   O não-objeto é uno, íntegro, franco. A relação que mantém com o sujeito dispensa intermediário. Ele possui uma significação também, mas essa significação é imanente à sua própria forma, que é pura significação.

   O artista busca, na pintura ou na escultura, a experiência primeira do mundo(arte), mas a própria pintura (ou escultura) já é um mundo conceituado, que é preciso ultrapassar.

Mini glossário (uso próprio)

IMANENTE: algo que é inerente, intrínseco ou inseparável da essência de um ser ou objeto.



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